Sinais de Reações Transfusionais

Reações febris ou alérgicas podem ocorrer com febre ou tremores da mesma maneira que reações hemolíticas graves. Por essa razão, qualquer alteração adversa na condição do paciente deve ser considerada como um sinal possível de reação transfusional adversa e deve ser avaliada.
As atitudes que devem ser tomadas quando se suspeita de uma reação transfusional são:
• Parar a transfusão.
• Manter um acesso intravenoso para tratamento, se necessário.

Animais que tenham tido transfusões múltiplas ou que tenham tido gestações prévias estão sob maior risco de reações febris. Um paciente que tenha tido uma reação febril está sob risco maior de reações subseqüentes.
A pré-medicação não parece ser marcantemente eficaz nesses casos e não elimina a necessidade de uma observação cuidadosa.
Quando se suspeita de uma reação, o aparato de transfusão deve ser trocado. Isso evita que os 10 a 15mL remanescente na linha de infusão sejam administrados ao paciente.

Complicações
Efeitos Imunológicos Imediatos

Reações Hemolíticas.

Reações hemolíticas são muito graves, mas são raras e decorrem do uso de sangue incompatível em múltiplas transfusões. Em razão dos gatos terem isoanticorpos de ocorrência natural no plasma (em particular, anticorpos anti A em gatos do tipo B), os receptores e doadores felinos devem ter o tipo sangüíneo identificado e devem ser verificados por reação cruzada antes da transfusão. Transfusões entre gatos A e B são ineficazes e podem causar reações hemolíticas fatais.
• Deve-se observar que a hemólise pode ser um problema não imunológico. A hemólise geralmente resulta de uma destruição física das células por superaquecimento ou pele mistura de soluções não isotônicas com hemácias. Nenhuma outra solução dever ser infundida pelo mesmo acesso da transfusão, a menos que esta tenha terminado.

Sinais

Tremores, febre, dor no local da agulha ou ao longo da veia, náusea, vômito, urina escura, dor nos flancos e, se progressivos, sinais de choque e/ou falência renal.

Precauções
Se possível, identificar os tipos sangüíneos do doador e do receptor antes do início da transfusão. Realizar testes de compatibilidade.
Administrar o sangue vagarosamente nos primeiros 15 a 20min e/ou 20% do volume inicial previsto; permanecer com o paciente nesse período.


Resposta
Na eventualidade de uma reação:
• Parar a transfusão.
• Manter o acesso venoso.
• Notificar o clínico.
• Separar o sangue do doador para repetir a reação cruzada com o sangue do paciente:
• Avaliar a pressão sangüínea quanto à ocorrência do choque.
• Colocar um cateter urinário e monitorar a produção urinária por hora.
• Enviar amostras do sangue e da urina do paciente para o laboratório. Uma hemoglobinúria indica uma hemólise intravascular.
• Observar se há sinais de hemorragia resultantes de CID (coagulação intravascular disseminada).
• Administrar terapia de suporte para reverter um choque.

Reações Febris
Qualquer aumento de 1°C ou mais deve ser considerado uma reação febril decorrente da presença de anticorpos contra leucócitos, plaquetas, ou proteínas plasmáticas.

Sinais
Febre, tremores.

Precauções/Respostas
• Parar a transfusão imediatamente.
• Avaliar a necessidade de instituição de terapia antialérgica.

Reações Alérgicas.
O paciente reage a alérgenos presentes nas hemácias, nas plaquetas, nos granulócitos e nas proteínas plasmáticas – freqüentemente imunoglobinas ou proteínas do complemento – do doador.

Sinais
Urticária, dispnéia, edema de laringe.

Precauções/Respostas.
• Administrar terapia antialérgica como profilaxia em pacientes com tendência alérgicas, embora isso seja freqüentemente ineficaz.
• Pode ser usada adrenalina para dispnéia ou reações anafiláticas.


Efeitos Não Imunológicos Imediatos

Sobrecarga Circulatória.
Decorre de uma transfusão muito rápida (até que mesmo pequenas quantidades), ou de quantidade excessiva se sangue (mesmo se administrada vagarosamente).

Sinais
Dispnéia, estertores, cianose, tosse seca, distensão das veias do pescoço (se visíveis podem ser palpáveis).

Precauções/Respostas
• Administrar o sangue vagarosamente.
• Prevenir a sobrecarga usando concentrado de hemácias, ou dividindo a quantidade de sangue administrada.
• Usar uma bomba de infusão para regular e manter o fluxo.
• Se aparecerem sinais de sobrecarga, para a transfusão imediatamente.

Hipotermia
A hipotermia é mais freqüentemente associada com a administração muito rápida de hemocomponentes não aquecidos.

Precauções/Respostas.
• Aquecer o sangue.
• Se o paciente demonstrar tremores e se a sua temperatura for subnormal¸ para a transfusão.

Distúrbios Eletrolíticos
Distúrbios eletrolíticos são raros, mas são freqüentemente associados com pacientes com comprometimento renal.

Sinais
Náusea, diarréia, fraqueza muscular, paralisia flácida, bradicardia, apreensão, parada cardíaca.

Precauções/Respostas.
• Usar hemácias lavadas com salina ou sangue total fresco para pacientes em risco.

Intoxicação por Citrato (Hipocalcemia)

A intoxicação por citrato ocorre especialmente em gatos e com o uso de hemocomponentes que contenham execesso de anticoagulante decorrente de volumes pequenos de sangue retirados do doador.

Sinais
Tetania, cãibras musculares, reflexos hiperativos, convulsões, espamos de laringe, parada respiratória.

Precauções/Respostas.
• Administrar o sangue vagarosamente.
• Se ocorrer tetania, obliterar imediatamente o aparato de transfusão, manter a linha intravenosa do paciente e notificar o clínico.

Efeitos Imunológicos Retardados
Reação Hemolítica Retardada

Sinais
Destruição de hemácias e febre 10 a 15 dias depois da transfusão. Isso é com freqüência uma resposta anamnéstica.

Precauções/Respostas.
• Observar ocorrência de anemia pós-transfusão e benefícios decrescente de transfusões sucessivas.


Reação Enxerto versus Hospedeiro
A reação enxerto versus hospedeiro é uma complicação rara subseqüente á transfusão em pacientes gravemente imunocomprometidos, tais como aqueles sob intensa terapia para doenças imunomediadas, ou imunossupimidos por quimioterapia ou a radiação. Ocorre se os linfócitos do doador imunocompetente se enxertarem e se multiplicarem no paciente imunodeficiente. As células enxertadas do doador reagem contra as células “estranhas” do hospedeiro receptor.

Sinais
Febre, urticária, hepatite, diarréia, supressão da medula óssea.

Precauções/Respostas
• Em Medicina Humana, os hemocomponentes podem ser irradiados. As funções de hemácias de hemácias, granulócitos e plaquetas não são afetadas. Oitenta e cinco a 95% dos linfócitos ficam incapazes de se replicar.
• O tratamento é de suporte e sintomático.

Púrpura Pós-Transfusão
A púrpura pós-transfusão decorre do raro desenvolvimento de anticorpos antiplaquetas. A púrpura pós-tranfusão ocorre mais exclusivamente em cadelas multíparas (raramente em gatos).

Sinais
Petéquias, púrpura e equimose se seguem ai declínio abrupto na contagem de plaquetas aproximadamente uma semana após a transfusão. Os anticorpos destroem tanta as plaquetas transfundidas quanto as nativas.

Precauções/Respostas
• Terapia imunossupressora.
• Se houver risco de morte, Medicina Humana, é indicada a plasmaférese.
O problema é geralmente autolimitante em cães.

Aloimunização (Formação de Anticorpos)
O paciente reage a alérgenos presentes em hemácias, plaquetas, granulócitos, proteínas plasmáticas – freqüentemente completo – e imunoglobinas.

Sinais
Risco aumentado de reações hemolíticas, febris e alérgicas.

Precauções/Respostas
Ocorre em pacientes que estejam recebendo múltiplas transfusões. Portanto, administrar sangue de número limitado de doadores e observar a ocorrência de sinais de reação.

Efeitos Não Imunológicos Retardados
Transmissão de infecção

Sinais
Icterícia em decorrência de hepatite, febre, desconforto não específico, ou dor (com freqüência ao redor da caixa torácica ou do esterno), hipotensão, vômitos e diarréia.

Precauções/Respostas
• Inquirir o banco de sangue sobre algo notável atualmente associado com o doador.
• Esclarecer os proprietários quanto à ocorrência de sinais de infecção.



Sangue Total Fresco
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Reações Transfusionais
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